quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Honoré de Balzac


Honoré de Balzac
França: (1799-1850). Romancista

“A missão da arte não consiste em copiar a natureza, mas sim de exprimi-la! Tu não és um vil copista, mas sim um poeta! exclamou o ancião, interrompendo Porbus, com um gesto despótico. De outra forma, um escultor reduziria todos os seus trabalhos a moldar uma mulher! Pois bem! Tenta vazar num molde a mão de tua amada e colocá-la diante de ti; verás um cadáver horrível, sem semelhança alguma e serás obrigado a ir à procura do cinzel do homem que, sem ta copiar exatamente, nela figurará o movimento e a vida. Temos que apanhar o espírito, a alma, a fisionomia das coisas e do seres. Os efeitos! Os efeitos! Mas, eles são os acidentes da vida, não a própria vida. A mão, visto que tomei este exemplo, a mão não se ajusta unicamente ao corpo, ela exprime e continua um pensamento que é preciso agarrar e traduzir. Nenhum pintor, nenhum poeta, nenhum escultor, deve separar o efeito da causa, os quais se incluem invencivelmente um no outro. Nisso, está à verdadeira luta. Muitos pintores triunfam instintivamente, sem conhecer esse tema da arte. Desenham uma mulher, mas ninguém vê. Não é dessa maneira que se consegue forçar o arcano da natureza. A mão que desenhais reproduz, sem que nisso vocês pensem, o modelo que copiaste em casa de teu mestre. Não deceis bastante na intimidade da forma e não tendes bastante amor, nem perseverança nos seus rodeios e nas suas fugas. A beleza é uma coisa severa e difícil que não se deixa atingir assim; é preciso esperar as suas horas, espiá-la, apertá-la, enlaçá-la estreitamente para obrigá-la a entregar-se."

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

As portas estão abertas


As portas estão abertas


Quem saiu em batalha
Há certo tempo,
Com seu coração nas mãos
E um brilho no olhar
Diante dos sonhos que se esconderam,
Há um passo, entre algum tempo,
Querendo encontrar?
Com uma mente cheia de idéias
E um coração a palpitar,
O corpo pulsa novidades,
Aromas e paladares,
E o coração bombardeando sentimentos.
Fazer nossa própria realidade,
Do fogo ardente que queima feroz
Em uma só sensibilidade,
Criar novos cenários, novas cores,
Lapidar todas as pedras preciosas
E deixar vir os novos sabores...

Você sabe a verdade que se esconde
Entre os dentes do destino
E as portas do amanhã?
Você sabe quantos dias faltam para amanhecer
Antes que a noite conte seus segredos?
Apenas imagine, tente...
As fronteiras estão se rompendo,
Mundos podem se unir,
Os sonhos podem se colorir novamente,
Pois nós não podemos controlar isso...
Sempre que fechamos os olhos
Quando buscamos entender
A origem desse fruto proibido;
Alguns são mais difíceis de pegar,
Ficam mais distantes
Quando tentamos agarrá-los
Escorrem pelos dedos...
Minha realidade difere da sua,
Cores diferentes,
Eu preciso fazer aquilo que sinto,
Que grita em meu coração,
O poder da imaginação é forte,
As portas estão diante de nossos olhos,
Pode nos levar bem longe,
Continue tentando,
De novo e de novo, nunca desista.

Irá à força de uma vontade ser tão forte
A controlar a mente de alguém?
Irá esta força iludir temporariamente
Ou aumentar a loucura que a cega?
Então as fronteiras de nossa imaginação
Elas se tornarão indistintas
E irão perdendo a consistência
Para desaparecer no ar rarefeito,
Pouco a pouco?
Podemos também ser assim tão fortes
De asas abertas, de mentes abertas
Para resistir às tempestades?

Pois alguns sonhos às vezes
Interferem em nossa realidade,
Se não acreditarmos,
Se não permitimos,
Pode se por tudo a perder...

Então a fé tem raízes na imaginação
Ou se solidifica em momentos?
Quem está certo agora
Na rígida e infinita luta pela revelação?
Eu não consigo dizer o que é certo ou errado,
Eu sei que podemos lutar dia após dia,
Cada batalha que for surgindo,
Pois todos nós vivemos numa guerra imaginária
Sendo as mesmas vitimas
E os mesmos algozes;
Um mundo repleto de rostos,
Um mundo em cada um,
As portas estão abertas,
É só dar o primeiro passo...

W. R. C.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sonho Em Preto e Branco



Sonho em preto e branco



São tantos rostos, em meio à multidão,
São tantos olhares, perdidos no horizonte;
Sombras que se movem sob a luz dourada,
Se movimentando de um lado para o outro,
Em danças envolventes
Girando ao meu redor;
Sussurrando lembranças distorcidas,
E verdades silenciosas neste instante;
A cidade segue o curso de suas veias de concreto,
Pulsando, cheia de vida,
Cheia de morte,
Até o ultimo corte da navalha
E o derradeiro choro dos amantes distraidos.
Sorrisos e lágrimas, vontades e desejos,
Outro gole que não mata a sede de beijo roubados,
E nem aquece como abraços perdidos,
Vapores etílicos sobem aos céus,
Desejos ardentes correm pela terra
Nas asas dos sentimentos que voam distantes...

O entardecer dourado escreve sua página,
Onde silhuetas sensuais desfilam diante de meus olhos,
O barco das lembranças flutua no mar da saudade,
Uma onda de nostalgia arrasta a realidade do presente
E os ventos sopram minhas lastimas adiante.
Escorre por minhas entranhas,
Desliza por meu ser lentamente,
Essa tristeza, essa melancolia esse tormento,
Mim'alma grita em silêncio essa dor,
Meu corpo sente o peso de minhas vontades,
E minhas linhas escrevem sobre saudade.
Agora o pensamento quer ir distante,
Onde as lágrimas não podem alcança-lo,
O sol brilha todo tempo,
Onde nunca estive...
Labirinto de paredes transparentes,
Rostos que se cruzam entre os corredores de vidro,
páginas que se viram e não escrevem nada,
Vozes que gritam e não se fazem ouvir.
Mais um gole...
Mais um pensamento...
Outra vontade no tambor da arma,
Um tiro no escuro diante do espelho,
O sangue que escorre tem o mesmo cheiro,
O do presente com fagulhas de pólvora do passado...
Olhares desconhecidos,
Mundo em seu galope veloz,
Vozes, sussurros e nossos sentidos,
Mais um grito no deserto,
Mais um sonho em preto e brando.



W. R. C.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Noite II



Noite II


As horas passam rapidamente,
E com ela segue a luz do sol,
A noite cai com seu ar gélido e suave
Seu véu melancólico
E solitário encobre os vales e colinas,
Onde gritos abafados
Ecoam se perdem com os ventos.

Venha confortante anoitecer
E suavize minhas feridas,
Permita-me por um instante
Conhecer os seus segredos.
O que a faz tão bela,
Tão atraente e sedutora?

Como olhar de linda mulher,
Fascinante perdição
A noite chama,
Leve-me como música
Serena suave pelos ares,
Sobre o brilho da lua,
Andarilho flutuante
Das copas das arvores,
Tocando doces melodias
Aos que agora descansam.

Em noites obscuras,
Quando amontoadas nuvens se juntam
Tornando o céu
Cinzento e tristonho,
Distante um som se ouve,
E com a chuva trovões
E relâmpagos rasgam os céus.

Quando choras,
Oh noite,
Ficas ainda mais bela!
Tenebroso céu
Que lacrimoso pranto derrama
Em musical estrondo tempestuoso.

E nebuloso
O pensamento se eleva,
Um grito mudo,
Um grito d'alma
A chuvosa noite clama,
Banhar em suas puras águas
E renascer de novo.


W. R. C.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cidade Cinzenta



Cidade cinzenta

Hoje a cidade acordou cinzenta
Com lágrimas caindo dos céus,
Um pranto diferente
De águas novas, puras,
De novidades que a caixa opaca da vida
Às vezes coloca diante de nós;
Outro capitulo aberto entre a vontade de viver
E todos os deveres existentes.

Hoje a cidade acordou cinzenta
Tentou ofuscar as luzes que surgiram,
Mas as tornaram ainda mais brilhantes,
Agora os passos serão recontados
E os barcos ainda irão navegar,
Nada mudou, não aqui,
Só adquiriu novas cores;
Mas as vontades ainda permanecem...

Hoje a cidade acordou cinzenta
Verdades caladas agora falam
Em vozes suaves, do jeito que tem que ser,
Desejos ardentes ainda queimam
Entre a palha seca de tantos dias
Que se foram, que se formam,
Que se fará em novos tons.

Hoje a cidade acordou cinzenta
Escreve suas linhas sem pressa
Com todos seus pontos e suas vírgulas,
Traçando nas páginas das ruas
Cada história que irá se formar
Em seus cantos de águas variadas,
Em suas curvas de tantas possibilidades...

Hoje a cidade acordou cinzenta
Cheia de sonhos e certezas,
Onde os caminhantes seguem suas buscas
Entre as ruas extensas e suas paisagens,
Com passos de ideais a se construir
E paixões que batem à suas portas;
Hoje a cidade acordou cinzenta e bela...

W. R. C.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Águas Tranqüilas


Águas tranqüilas


Em casa no escuro,
Esperando a chuva cair
Com sua voz a abafar a minha,
Temporariamente deixando apenas
Minhas poucas linhas;
Penso no dia que ficou para traz,
E nos que apontam no horizonte,
Horas que escorreram,
Sentimentos que evaporaram,
Vontades que borbulham
Ocultas pela bola de cristal
E todas suas melodias;
Eu e você, entre tempo e espaço
E as estações com seus segredos...
Surge diante de meus olhos
Anjo a confortar minha dor,
Com sua musica fascinante
E palavras de reflexão...
Lembranças dos breves momentos
Em noites que passaram,
Uma noite que se foi;
Em olhos que mergulhei,
E palavras que voaram
Arrastadas pelo tempo,
Deixando suas sementes
Que ainda não brotaram...


As horas se tornam gotas no céu
Chuva fina de recordações,
Quando os pensamentos derramam
Seus quereres, seus sorrisos,
E quando se arrastam lentamente
Trazendo consigo
O fogo daquele olhar;
Ainda posso sentir o que ficou
A arder em minhas entranhas
A incendiar meu ser
Querendo sair...
Quero você diante de mim...
Quero você aqui...
Sinto em meu peito
O peso dessa ilusão
Tão real, tão gritante,
Que grita suas vozes
Aos quatro cantos,
Em quatro ventos,
Em cinco elementos,
Fogo que queima voraz,
Alma em chamas,
Confusa, sedenta...
Em meio à escuridão
O silêncio fere meus ouvidos
Com seu toque de lembranças,
Procuro em vão
A luz dos seus olhos
Que ficaram entre o ultimo dia
E as vontades do amanhã...

Giram os pensamentos
Em minha cabeça
Como pássaros a bailar no ar;
Desejos que fervem em meu sangue
Como serpentes
A correr por minhas veias;
Não quero o tempo como inimigo
Com garras afiadas a nos dilacerar,
Não quero o presente como martírio
Em suas pedras as nos cobrirem,
Nem as horas como tormento;
Quero apenas,
Compreender o agora
Em suas estações variadas,
Deixar que as águas puras
Possam percorrer o seu curso
Em direção ao imenso mar,
Para que as embarcações
Sigam seu destino
E assim somente navegar
Em águas tranqüilas
Onde nossos olhos
Encontrar-se-ão novamente.


W. R. C.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011


Jean-Nicolas Arthur Rimbaud
França:1854/ 1891
Poeta, Escritor

CIDADES

Que cidades! É um povo para o qual foram montados Apalaches e Líbanos de
sonho! Chalés de cristal e madeira deslizam sobre trilhos e polias invisíveis.
Crateras ancestrais circundadas de colossos e palmeiras de cobre rugem
melodiosamente dentro dos fogos. As festas do amor badalam nos canais suspensos atrás dos chalés. Matilhas de sinos gritam nas gargantas.
Associações de cantores gigantes chegam em trajes e adereços cintilantes como a luz nos cimos. Sobre as plataformas, em meio a precipícios, os
Rolands buzinam sua bravura. Sobre as passarelas do abismo e os tetos dos
albergues, o arder do céu hasteia os mastros. O colapso das apoteoses
concentra os campos das alturas onde centaurinas seráficas evoluem entre as
avalanches. Acima do nível das mais altas cristas, um mar atormentado pelo
eterno nascimento de Vênus, repleto de frotas orfeônicas e do murmúrio de
pérolas e conchas preciosas, — às vezes o mar se escurece com brilhos
mortais. Nas encostas, safras de flores imensas bramem como nossas armas e
taças. Cortejo de Mabs em robes russos, opalinas, trepam nas ravinas. E lá em cima, as patas nas sarças e cascatas, cervos sugam os seios de Diana. bacantes de subúrbio soluçam e a lua queima e uiva. Vênus penetra nas cavernas de ferreiros e eremitas. Torres de sinos cantam as idéias das pessoas. A música desconhecida escapa dos castelos de osso. Todas as lendas evoluem e élans invadem os burgos. O paraíso de tempestades despedaça. Selvagens dançam sem cessar a festa da noite. E, uma hora, desci na agitação de um bulevar em Bagdá onde companhias cantaram a alegria do trabalho novo, sob uma brisa espessa, circulando sem poder iludir os fantasmas fabulosos dos montes, onde se devia reencontrar.
Que braços bons, que hora adorável vão me devolver essa religião de onde
vêm meus sonos e meus movimentos mais sutis?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Anjo Caido III



Anjo caído III


Tentando me manter ainda
Sobre este curso de águas que caem,
Sob o céu cinzento de um dia qualquer
Onde navego em meus pensamentos,
Onde um dia planei sorrateiro
Em todos os seus desníveis,
Esperando a chuva cair
Enquanto minha mente
Apresenta suas cartas;
Mas uma delas está me abatendo
Quando feroz vem me agarrar
Me puxando durante o caminho para baixo
Em direção ao submundo sombrio
De idéias que giram e vozes que ecoam.
Vagando em direção a um vazio infinito
Onde se encontra perdido o ultimo grito,
A derradeira porção de sentidos,
A aniquilação irá agora ser a única maneira
De afogar essas mágoas,
De diminuir esses pecados
Este espaço não pode ser preenchido novamente,
Um buraco aberto e no tempo
Onde se escondem temporariamente
Os sentimentos em suas vestes escuras,
A saudade em seu manto vermelho;
Onde meus olhos em chamas brilham
Enquanto empurro minha ultima vontade,
As penas do anjo caído
Estão espalhadas pelo chão.

Poderei clamar aos céus
Quando as dores começam,
Ao seres superiores
E seus inúmeros aliados
Após a queda
Quando ainda estou confinado aqui?
Você nem mesmo imagina
Quanto já fora escrito antes de nós
Tudo que foi arquivado de cada ato,
Cada feito e todos os seus vultos
Que ecoaram no tempo e no espaço;
Eles deixarão para trás
Tantas sombras em minha mente,
Tantos rostos em meu coração
E sangue em minha espada;
E agora, cicatrizes em minha alma...

Alto no céu, bem distante,
Todas as nuvens estão passando
Levando os pecados
E marcando os pecadores,
E os que caíram ainda choram
Esperando por esta tempestade
Que ainda não pode lavar suas manchas
E nem limpar o sangue que ainda escorre;
Esperando pela tormenta,
A fúria que vem do céu,
O estrondo do trovão;
E esperando pelas lágrimas
Que despencam do firmamento
Caírem em mim, caírem em você...

Por que essas lágrimas
Nunca irão secar,
É o preço que se tem que pagar
Depois que asas são arrancadas?
Elas deixarão pra trás tantas sombras,
Vivendo em mim, dia a dia,
Diante de meus olhos fechados,
Vivendo em todas as memórias
Em minha vida.
Você imagina o porquê
Dessas lágrimas nunca secarem
Escorrendo em meu peito nu?
O tempo se forçou sobre a vida
Enquanto a chuva cai lá fora,
Vivendo em minha mente
Cada um daquelas horas perdidas.
Podemos mesmo encontrar um caminho
Neste labirinto sem fim?
Deveria eu ficar?
Deveria eu ser o único
Perdido dentro do vazio infinito?
Depois da queda nada mais é como fora antes...

W. R. C.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Perguntas Inquietantes II


Perguntas Inquietantes II

O que podemos plantar entre
As linhas de nossos corridos dias
E os reflexos embaçados de nossa consciência?
Esta água viva que vive dentro de nós
Poderia irrigar os campos
Secos de nossos sonhos cinzentos?
Porque algumas vontades
Derramam em terrenos inférteis
E escorrem rapidamente
Ao ralo da indiferença?
No deserto de nossas buscas
O céu sempre será cinzento?
O livro sagrado de nossa existência se escreve
De formas confusas
E se colore de cores opacas?
É eu ou é você que vê um mundo distorcido
Quando se tenta trazer os sonhos para a realidade?

Você pintaria quadros de suas memórias
Nas galerias escurecidas do tempo presente?
Esse fruto proibido em sua mão
Pode ser doce quando o amargo fel
Que divide as possibilidades o engasga?
Os ponteiros do relógio poderiam parar quando sentado
Ainda espera a tempestade passar?
O tabuleiro da existência poderia ser divido
Em partes melhores se você soubesse como jogar?
As sementes que plantamos podem gerar frutos distintos
No decorrer de nossos dias?
E minhas perguntas podem bater em portas trancadas
E adentrar o salão silencioso do acaso
Onde paramos para refletir?

Esse olhar que me observa de longe
Seria o mesmo que quer me devorar?
Por que escondes seu rosto pálido de mim
Quando eu gostaria de ver a face de meu algoz?
E essa música sombria que me oferece
Ela escreve meu nome em listas escurecidas
Em nefastas paginas para depois?
Deveríamos nascer de novo com todas as respostas
De todas nossas perguntas?
Quanta vontade precisou juntar
Até tornar algo real?
Esse gramado seco,
Essa melodia que faz estremecer
Seria o presságio do que colheremos amanhã?

Esses gritos que ecoam distantes
Voando no imenso céu
São os mesmos que fizeram seus ninhos
No topo de nossas lembranças?
Quando tentamos reviver sentimentos perdidos
Jogamos sementes verdes em uma terra árida?
Por que nossa voz não tem mais o poder de antes,
São os ouvidos distraídos que não a querem mais escutar?
Algumas palavras que dizemos são árvores secas
No deserto solitário de universos alheios?
E o silêncio seria a resposta de tantas inquietações?

Você consegue sentir a energia fluir
Das profundezas de seus sentidos
Brotando do alto de suas procuras
Clareando alguns pensamentos?
E estas visões brilhantes em sua mente,
Pode ser isto um sonho ou um pesadelo?
Pode ser isto somente um estado da consciência?
Pode você mostrar respostas
Que naveguem em mares iluminados
Para todas as suas dúvidas?
Pode você sentir o significado da vida
A percorrer os caminhos mais diversos
E repousar em casas onde tem
O que é para se encontrar?
W. R. C.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Para onde iremos?



Para onde iremos?


Em uma longa estrada chamada vida
Milhares de lugares a percorrer,
Inumeros rostos a se cruzarem;
Ela é sinuosa e fria e está coberta de cinzas:
Estrada distorcida do agora
Onde suas curvas perigosas podem nos levar?
O que todos nós queremos saber,
Para onde iremos?
As linhas em meu rosto,
As linhas em minha mão
Conduzem a um futuro que eu não entendo,
Um vai e vem de sentidos diversos,
Algumas coisas não saem conforme planejado...
Para onde iremos então
Depois que a ultima porção de amor se acabar,
Essa poderia reviver novamnte?
Seguindo a trilha através dos espelhos do tempo
Entre suas ruas escuras do passado
E todas essas em brando do presente;
Girando em círculos com enigmas em poesias,
Perdemos nosso caminho tentando encontrar
A porta mais próxima do amanhã,
Buscando encontrar nosso caminho para casa…

Enquanto o dia segue
Com lágrimas em nossos olhos
O palhaço grita no picadeiro,
E quanto mais alto é seu grito
Mais a platéia fica distraida e distante...
Há poucos beijos hoje,
E muito adeus para nunca mais;
O silêncio responde nossas lágrimas
Quando estamos no escuro.
Para onde iremos agora
Depois que abraço de despedida se findou?
Estamos todos nesta estrada distorcida do agora,
Querendo curvas de ontem, existindo amanhã,
Com milhas a percorrer;
Desbravando novas trilhas no desconhecido
Entre os dias e suas penas.
A quem você pode recorrer
Quando uma música pode lhe trazer recordações,
Quando ninguém realmente sabe
Para onde estamos indo?

O tempo cumpre seu papel
E rompe para o outro lado,
Seus venenos restantes ainda correm
Tão doce, tão suave
Por veias agitadas, por ruas,
Por lugares variados,
Explode em esquinas esquecidas,
Entre bosques cinzentos,
Em corações dilacerados.
Agora cada passo será o primeiro
Em direção ao virar de outras vozes
Que ecoarão também em conjunto,
Que escreverão outros verbos
Com pontos e virgulas
Do substrato extraido de cada procura,
Mesmo sem saber o que tem após a curva
E para onde poderemos ir...

W. R. C.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

William Blake



William Blake
Inglaterra: 1757 // 1827
Poeta/Pintor

A Humana Súmula

A Piedade deixaria de existir
Se não fizéssemos nós os Pobres de pedir;
E a Compaixão também acabaria
Se a todos, como nós, feliz chegasse o dia.

E a paz se alcança com mútuo terror,
Até crescer o egoísmo do amor:
A Crueldade tece então a sua rede,
E lança seu isco, cuidadosa, adrede.

Senta-se depois com temores sagrados,
E de lágrimas os chãos ficam regados;
A raiz da Humildade ali então se gera
Debaixo do seu pé, atenta, espera.

Em breve sobre a cabeça se lhe estende
A sombra daquele Mistério que ofende;
É aí que Verme e Mosca se sustentam
Do Mistério que ambos acalentam.

E o fruto que gera é o do Engano
Doce ao comer e tão malsano;
E o Corvo o seu ninho ali o faz
No mais espesso da sombra que lhe apraz.

Todos os Deuses, quer da terra quer do mar,
P'la Natureza esta Árvore foram procurar;
Mas foi em vão esta procura insana,
Esta Árvore cresce só na Mente Humana.

William Blake, in "Canções da Experiência"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nuvens no Céu



Nuvens no céu


O céu cinzento não trás novidades,
Nuvens que passam gritantes
Como anjos escurecidos;
Procura incansável de tantos amantes
Nesse labirinto de sentidos perdidos
A mercê do tempo e suas verdades,

Buscas discretas em meio a tantas vozes,
Vontades dispersas em um instante
Caídas em gotas discretas,
Nada mais é como fora antes
Destes dardos envenenados e suas setas,
De este dia perder suas luzes.

Voltando a ser chuva passageira,
Voltando a ser água do presente,
Perdendo diversas cores,
Falando ao coração tudo o que sente
De cada uma dessas dores
Em linhas saudosas e traiçoeiras.

Nuvens no céu da saudade,
Realidade escura no firmamento,
Anjo caído, amante alado,
Sussurros perdidos soprados pelo vento,
Rosto pálido e calado,
Desejo ardente, vontade.

Partículas úmidas a cair no chão,
Pedaços soltos no ar
Maestro sem muita maestria
Buscando um caminho encontrar,
Cantando lamentos e poesia,
Do peito em chamas, do coração.

Nuvens no céu de tanto pesar,
Sua água mais pura despeja
Seu corpo se forma assim,
Daquela boca que minha boca não mais beija,
São seus olhos enfim,
Palavras de adeus a me atormentar.

Escuto agora um estrondo no céu,
Vejo nuvens escuras diante de mim
Esperando a tormenta cair
Em um bailar desconexo sem fim,
Com tudo o que tiver que vir
Cobrindo meu sol como negro véu...

W. R. C.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

As Emoções


As emoções


Vivendo um passo de cada vez,
Vivendo misturando dias
Nas asas das horas e seus minutos crueis;
Cada partícula de sentido
Uma vontade guardada,
O fruto doce e proibido, é tão almejado,
Em outro mundo bem distante e esquecido
Repleto de rostos e cores,
Onde cruzam olhares brilhantes;
Uma existência diferente,
Um cenário de tons cinzentos
Ou cores variadas,
Uma página escrita a muito tempo
Ainda praticamente a mesma.

Lembranças são tristezas e o riso é dor,
Dilacerando a carne com o passar do tempo,
Em meio à fome de nossos corpos em chamas,
Desejos que causam arrepios,
Perfume de rosas distantes,
Uma marcha orgulhosa que segue em frente,
Luzes brilhantes das velas...
Olhe fundo, em meus olhos,
Preste atenção, perceba,
O que eles têm a dizer:
_As emoções tomam conta da vida
Todos os dias, cada instante,
Com o gotejar de cada hora, minuto e segundo...

Variações imprevisíveis de comportamento,
Consequências de todas as incosequências,
Sensações em comum, saudade;
Olhos que sangram ao olhar para traz,
Memórias bombardeando os sentidos...
Segure a chave para a porta mental,
Ascenda a luz e saiba que aqui
Onde nada é tudo, e tudo é nada,
O ontem deixa pedaços no hoje;
Olhando além da parede
Milhões e milhões de vezes,
Sussurrando desejos sem fim,
Parasitas devoradores de consciência,
Consequência inconsequênte do presente;
Dois lados de uma moeda
Vendo partes deles que são reais
E outras que foram banidas com o tempo...

Atrás de sombras mentais elas devem viver,
Recordações resurgidas recentemente,
Vontades sussurrantes sem sentido,
Sementes adormecidas por acaso;
Olhe fundo nos olhos deles,
De cada um desses sentimentos
Para o que eles têm a dizer,
Ele ainda não se perdeu no escuro do mundo,
São flores diversas nos jardins de nossos seres,
Emoções tomam conta da vida
Todos os dias constantemente...

W. R. C.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Chuva



Chuva


Escuto a chuva que cai,
Escuto aquela que ainda quer cair,
Agredindo meu telhado,
Meus pensamentos,
Minha consciência inconsciente
De que no momento
Não posso fazer nada;
O seu som são como navalhas afiadas
A dilacerar meu peito nu,
Caindo em direção à carne
Que sem piedade rasgam meus sentimentos;
Trazendo consigo os demônios da saudade
Que a muito estiveram adormecidos,
E junto com a água que se escorre pelos cantos,
Vão-se também minhas lágrimas
Que se cansaram de cair...

Explode o trovão ferozmente,
Rompendo pelo céu,
O grito de Deus
Que ecoa pelo mundo.
Cadeiras vazias, serpente no chão,
Pássaros em toda parte,
Cenário cinéreo;
A chuva continua a cair,
O choro de Gaia
Que lava o solo em vão...

As luzes da cidade parecem opacas,
Os becos e esquinas repletos de vida,
De morte, o andarilho e seus passos,
Observo os olhares amedrontados
Em suas janelas cinzentas,
A água que cai sem parar,
A cidade adormece com medo de suas paredes desabarem...

Lá fora estão os famintos:
Famintos de ideias...
Famintos de amor...
Famintos de compreensão...
Famintos de coragem...
Prontos para devorarem uns aos outros
Em seu banquete feroz de indiferença,
Em sua parcela diária de fome.

Esperando com paciência
O trem do meio dia,
E o ultimo suspiro do carrasco,
Algoz sanguinolento em seu olhar macabro.
Seguindo as linhas férreas,
Seguindo os dias com ferro e fogo
Em direção ao esquecimento e o sono eterno,
A grandiosa morada do silêncio
Como quem espera a chuva cair.

W. R. C.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



Arthur Schopenhauer
Alemanha: 1788 // 1860
Filósofo

A Universalidade de uma Opinião

A universalidade de uma opinião, tomada seriamente, não constitui nem uma prova, nem um fundamento provável, da sua exactidão. Aqueles que a afirmam devem considerar que: 1) o distanciamento no tempo rouba a força comprobatória dessa universalidade; caso contrário, precisariam de evocar todos os antigos equívocos que alguma vez foram universalmente considerados verdade: por exemplo, estabelecer o sistema ptolemaico ou o catolicismo em todos os países protestantes; 2) o distanciamento no espaço tem o mesmo efeito: caso contrário, a universalidade de opinião entre os que confessam o budismo, o cristianismo e o islamismo os constrangerá.
O que então se chama de opinião geral é, a bem da verdade, a opinião de duas ou três pessoas; e disso nos convenceríamos se pudéssemos testemunhar como se forma tal opinião universalmente válida.

Acharíamos então que foram duas ou três pessoas a supor ou apresentar e a afirmar num primeiro momento, e que alguém teve a bondade de julgar que elas teriam verificado realmente a fundo tais colocações: o preconceito de que estes seriam suficientemente capazes induziu, em princípio, alguns a aceitar a mesma opinião: nestes, por sua vez, acreditaram muitos outros, aos quais a própria indolência aconselhou: melhor acreditar logo do que fazer controles trabalhosos.

Desse modo, dia após dia cresceu o número de tais adeptos indolentes e crédulos: pois, uma vez que a opinião já contava com uma boa quantidade de vozes do seu lado, os que se seguiram o atribuíram ao facto de que ela só podia ter conquistado tais votos graças à consistência dos seus fundamentos. Os que ainda restaram foram constrangidos a concordar com o que já era considerado válido por todos, a fim de não serem considerados cabeças irrequietas que se rebelam contra opiniões universalmente aceitas, nem garotos intrometidos que querem ser mais inteligentes do que o mundo inteiro.

A essa altura, o consenso tornou-se uma obrigação. A partir de então, os poucos que têm capacidade de julgar precisam calar, e os que podem falar são aqueles completamente incapazes de ter opinião e julgamento próprios, são o mero eco da opinião alheia: contudo, são também defensores tanto mais zelosos e intransigentes dela. Pois, naquele que pensa de outro modo, odeiam menos a opinião diferente que ele professa do que o atrevimento de querer julgar por conta própria, experiência que eles mesmos nunca fazem e da qual, no seu íntimo, têm consciência. Em suma, muitos poucos sabem pensar, mas todos querem ter opiniões: o que mais lhes resta a não ser, em vez de criá-las por conta própria, aceitá-las totalmente prontas de outros? Uma vez que assim sucede, quanto poderá valer a voz de cem milhões de pessoas? Tanto quanto um facto histórico que se encontra em cem historiadores, mas que depois se comprova ter sido transcrito por todos, um após outro, motivo pelo qual, no fim de contas, tudo reflui ao depoimento de um único homem.

Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Ter Razão'

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sonhos Transparentes



Sonhos transparentes


Há poeira no horizonte
Girando veloz em espiral
Tornando pensamentos em prosa
E verdades caladas em poesia;
Há sombras no céu dançando no ar
Girando e levantando suas linhas,
Tocando melodias de ontem,
Chamando meu coração
A bater em um ritmo suave,
Sussurrando saudades
De formas diversas,
Gritando velhas vontades
De varios valores, de tantos sabores
Que n'alma ainda estão cravadas...

O tempo passa sem piedade,
Virando cada esquina com garras pontiagudas,
Nós estamos sempre correndo
Em direção ao desconhecido,
Nós estamos correndo para
Tentar pegar a estrela de um novo dia...
E o tempo e o espaço
Com suas cores brilhantes
Passeiam diante de nossos olhos,
Levam para longe o que tentamos guardar,
Nossa única proteção, nosso único consolo,
Se encontra nas profundezas de um sonho,
Onde podemos ver entre as brumas
Ocultando a face triste, escondendo os segredos
Não revelados, os desejos transparentes;
Mais uma vez aquele belo rosto.

A noite que cai e grita meu nome,
O coração cansado respira na escuridão
Batendo lentamente
Sonhando mais um sonho.
Eu posso voar através de minha mente,
Eu posso ir onde um dia estive
E olhar novamente aqueles olhos
Quando eu os vejo enquanto brilham;
Não quero acordar, me deixem aqui!
Então dentro da caçada,
Os dias que fugiram sem se despedir,
As chaves que sumiram diante de meus olhos,
Sentimento que silenciou mas ainda vive;
Logo encontraremos a luz da lua
Em todo seu explendor prateado
E cada um daqueles sentimentos,
Aqueles que ficaram para trás,
Guardado no fundo do peito.

Agora que o tempo veio e se foi
Entre esses sonhos e a realidade calada,
As páginas vão se escrevendo
Linha por linha, lágrima por lágrima;
O fruto proibido, a docura em nossos lábios,
A ilusão passou e estamos por conta própria
Aguardando o tiro de partida
O romper da aurora.
São tantas portas, hoje, ontem, amanhã,
Saiba que o sonho nunca está distante...

W. R. C.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A chave


A Chave


Tarde eu fecho meus olhos
E tento enxergar novamente,
Uma outra tentativa vazia,
Tentando encontrar inutilmente
A saida desse labirinto sem respostas,
Onde se perdeu meu ultimo suspiro de amor
Entre os braços fortes do tempo
E a curva que nos separou.
A iluminada vela morre
Se queima até o fim, sua cera forma saudade;
Eu sinto a presença da escuridão
Quando a chama se apagou,
Minha consciência tão pálida
Consciênte ainda irá esperar
O jardim se pintar novamente
E todo o amor florescer.
A ultima noite que se foi
Trouxe pesadelos trágicos para mim
Quando me disse o que não queria ouvir,
Que meus passos devem se seguir então
Deixando que a estrada me leve
Onde for que eu tiver que ir
Antes que os sonhos tragam suas cores de volta.
Ela anda em beleza como a noite sem fim
Quando surge nestes sonhos
De climas sem nuvens e céus estrelados
Pedaços fragmentados de tantos sentidos,
Onde o tempo para nós mais uma vez
Goteja suavemente suas obras e
Segue sem pressa escrevendo suas linhas...
E tudo de melhor da escuridão e da luz
Todos o seus aspectos mais distintos
Se encontra em contraste em seus olhos
Quando os busco em sonhos opacos;
Sendo assim entorpecido por aquela branda luz
Que ofusca minha visão e me faz delirar
Me transportando aos recantos mais distante
Que o céu nega para um dia iluminado.
Uma sombra a mais, um raio a menos,
O arrastar da chave em direção a fechadura,
A voz tentando chegar ao seu destino,
Se metade tivesse prejudicado a graça sem nome
Daquelas promessas que evaporaram
Que ondulam em toda mecha negra
Entre o tempo perdido
E as vontades que querem se encontrar
Ou suavemente iluminar em sua face
Cada um daqueles desejos que de nós se esconderam,
Trancados em seus recantos perdidos
Onde pensamentos serenamente
Se expressam docemente,
Se colorem constantemente,
Quão puro, quão querido,
Como os jardins floridos de outrora
O lugar de habitação de todos eles...
Os sorrisos que surgem lentamente,
As memórias que acendem,
Tudo novamente em um instante,
Mas contam sobre dias gastados em pensamentos
E passos despidos de suas buscas,
Cada um contando suas páginas,
Carregando suas chaves;
Uma mente em paz com tudo que restou,
Um coração cujo amor ainda é aprendiz!
O gosto de vinho permeia em minha mente
Quando recordações navegam por ela,
E aves noturnas pousam ao redor
No deserto de minhas vontades;
O vinho que foi derramado de tantas feridas
Abertas pelos fantasmas que me assombram
Em dias de constantes sentimentos...
W. R. C.

sábado, 3 de dezembro de 2011

E o que seria o tempo?



E o que seria o tempo?


O que eu vejo, o que você vê,são reais essa vontades todas? O que eu encontrarei, o que perdemos diariamente? Sei a resposta interior, da pergunta que não fiz ainda, que se esconde entre nuvens no céu; é nosso último passo, nosso ultimo feito, o que sobrou daquele beijo, antes de tomarmos o ultimo gole de vida e digerirmos o suco amargo da saudade.
Semente negra jogada na terra brotando em desejos sem respostas, flores escurecidas que surgem no ar do alto de lembranças escondidas, caminhos bifurcados que ficam na terra entre as portas que serão abertas a qualquer instante...
Tempo, o que é tempo em seus minutos crueis, quanto temos ainda, antes dessa despedida, antes de tudo se iniciar novamente? Eu queria saber te contar quantos grãos de areia ainda faltam; a culpa é toda nossa: é nossa sede, é nossa fome, somos nós saindo para dar um passeio entre cada estação e o que nos separa por hora, no arrastar de todos os minutos e segundos em que buscamos repostas e fazemos perguntas...
Não somos máquinas, não somos pedras que caem e rolam o desfiladeiro? Tempo, o que é tempo em suas portas trancadas em seus enormes cadeados?
Destranque a porta e veja a verdade, o que parece nunca é suficiente é a pequena parte do que poderia ser um todo; então saia da caverna escura, solte os cães e observe os gatos no telhado, as aves não cantam mais como antes, então o tempo será o tempo novamente com todas suas manhas e seus sustos...
Estes sonhos nunca foram meus, pois sozinho não pude recrialos; esses vultos que voltam para casa, essa realidade se escreve bem devagar, como a pena desgarrada de uma ave veloz; está frio por dentro, isto se foi por enquanto, as coisas que vemos, o choro que escorre, gargalhadas no dia seguinte, tesouros no fim do arco-iris.
Quem pode dizer o que é certo ou errado, construir muros ao invés de pontes? Pelo que estamos pedindo o preço pode ser muito alto? Pelo que vê e sente todos os dias entre espasmos de sentidos e olhares preoculpados?
Eu me lembrarei de minha vida passada ao despertar de um sonho conturbado onde os olhos de meu coração podiam ver por mim; e eu me lembrarei do tempo que se foi entre meu ultimo suspiro e o primeiro adeus, antes da próxima página se iniciar, antes das linhas se rabiscarem novamente.
O que eu vi depois do raiar do sol ofuscante? O que eu fiz durante essa noite de vultos, sonhando o que tanto quis?
Venha trancar a porta, não me deixe entrar, pois quero estar por perto mais uma vez; realidade, ela me machuca as vezes quando grita vontades, distantes escondidas do outro lado de minhas buscas e desejos ainda latentes; como espinho de rosa branca que rasga a carne e se torna vermelha.
Sinta o cheiro por um instante dessa manhã de sussurrantes recordações, banhe-se nas lágrimas do orvalho desse dia;
Eu a vejo claramente, é tarde para um convite? Conhece seu sonhos e seu desejos quano são habitados por quem esteve ausente?
As vezes até coloca os pingos nos jotas e as virgulas em alguns verbos; ele não nos cura, esse desejo constante, mas nos deixa esquecer o presente amargo e trás atona de forma suave as cores que ontem tanto nos alegrou.
Tempo, o que é tempo com esses segredos silenciosos?
Nunca saberemos, nunca o sentiremos novamente até nos permitimos que ele crie uma outra realidade, então não tome cuidado, não tenha medo, se deixe se levar por suas brisas em direção ao ponto final e o inicio do esquecimento, assim o tempo será o tempo novamente....
W. R. C.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O meu caminho



O meu caminho


Manhã nublada,
Pensamento nebuloso,
Vontades caladas,
Sussurros entrelaçados,
Verdades que vagam no ar
Entre as coisas que vão se criando
Diante de olhares turvos e seus receios;
Imagens que se formam
Vultos dançantes a nos seduzir...
Esse vento que parece rasgar lentamente
A face pálida e dormente,
Que ainda sonha sonhos já guardados
E memórias resurgidas,
Cambaleando nestas brumas
Se entorpecendo com estes sentimentos
Arrastados ao sepulcro da dúvida
E os jardins floridos do esquecimento...

Caminho em direção aos meus pensamentos
Que giram em formas estranhas
Criando sensações diversas
Enquanto fico mais uma vez em silêncio:
Observando... Absorvendo,
Alguns raios solares fogem por frestas discretas
Iluminando sentidos dormentes;
Sonhos dourados que tentam se expandir
Em meio ao aglomerado de nuvens no céu,
De tudo que passou, e tudo que virá,
Até o outro lado dessas linhas reluzentes;
Tempo que sussurra perguntas
E aguarda respostas
Nas asas de suas inquietações momentâneas...

Anseio... Silêncio...
Humanidade... Caos...
Imaginação que voa baixo
Sem tocar seus pés no chão...
Aves com danças bizarras
Rodopiando ao redor
Cantando saudades empoeiradas;
Árvores em seu balanço rítmico
Se desmembrando pouco a pouco,
Folhas que caem sem respostas
Das perguntas que se formam
E lentamente forram o chão.
Pensamento... Metamorfose...
Sentimento... Overdose...
O sangue corre pelas veias,
O sangue escorre pelo chão,
Gritos de misericórdia
Em direção ao firmamento,
Sobem e se perdem sem atenção.
O céu esbraveja entristecido,
E lacrimoso desaba em pranto,
Raios que riscam o ar,
Estrondo que estremece a Terra...

As lágrimas se misturam com a chuva,
O soluço se mescla com o trovão,
Partes de um todo,
Tudo que derrama,
Escorre por nosso rosto
Deslisa por nossa alma.
Flores não desabrocharam nesta manhã
Pessoas parecem que sumiram,
Ruas se tornam labirintos,
E eu sigo sozinho o meu caminho.


W. R. C.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sonhos Perigosos


Sonhos perigosos


Caminhando sob um céu cinzento
A passos sorrateiros
Silencioso virando uma esquina qualquer;
Pensamentos que fervem e borbulham
Tentando entender o inteligível
Que parece ser cada um de meus desejos,
Mas que se escondem de mim por entre as nuvens no céu...
Uma febre ardente me queima por dentro,
Um sentimento cativo que grita em silêncio,
São vozes a ecoar no firmamento
Dizendo o que tanto quis dizer,
Se perdendo de vez entre as eras...
Que sonho escuro, que sonho perigoso,
Este de viver o que não se pode
Sentindo o tempo todo o que tanto se quer,
Colher frutos proibidos entre a rosa e seus espinhos,
Sorver a seiva cristalina que emana da vida
Sem me afogar em imcompreenções;
Mas que abismo profundo de lembranças,
Esse que despenco sem querer cair
Virando as costas para tudo aquilo que conhecia
Cada conhecimento inconciente dentro de mim
E mergulhando em um rio negro de nostalgia
Em ondas sonoras de lamentos em um dia sem sol...

E a chuva caiu, e as estrelas caíram do céu,
Levando boa parte dos sonhos compartilhados,
Lavando as cores que produziamos acompanhados;
E as lágrimas cairam e os sonhos evaporaram no ar
Como fumaça de tempos esquecidos, que não voltam mais.
Oh, que dia cinzento, que lembrança escura
De cada dia que ficou para trás
Horas arrastadas aos pilares das lembranças,
De todas essas portas que agora estão fechadas...
Isso sempre parece ter o mesmo caminho
Virando a primeira página ao entardecer,
Uma estrada sombria, uma casa em ruinas,
A morada daqueles dias memoráveis
Evaporando com a luz da manhã seguinte
Após o despertar para realidade calada...

Página por página, linhas desconexas,
Como um pingo de tinta em uma tela em branco
Esperando mais uma obra de arte se formar
Em traços unicos de sonhos luminosos,
Mas que não passará deste pingo solitário.
Moedas de cobre brilham para o sol
Em suas discretas frestas que apareceram,
Estátuas de mármore destruídas com o fogo
Derretem os medos e seus valores,
Cães famintos esperando sua refeição
Dilaceram os ossos do tempo
Em mandibulas vorazes que falam pelo agora;
Pensamentos distorcidos com o pecado
E o desejo de atravessar essa ponte,
Lembranças construídas por acaso
Em constraste com a realidade tão gritante;
Então o ouro do risco brilha a cada passo perigoso,
E as flores sem perfume brotam nos jardins...


Sonhos perigosos e desejos insaciáveis
Brotam de nossas mentes, sae de nosso peito;
Vozes que sussurram e promessas vazias
Em meio à qualquer um interesse,
Tão inseguro com aquilo que nos tentamos
Sementes ao solo rigido então;
Temendo o próximo passo no labirinto
E o sufocar de vontades que vem e vão;
Temendo caminhar em corredores frios
Congelados com os anseios dos desejos
E seus medos mais discretos...
Sedento e com o coração na mão
As linhas que escreveremos,
Paragrafos que se transformam,
Vontades que tanto nos corrói,
O que nós temos e o que nós deixamos seguir adiante...

W. R. C.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Leon Tolstoi


Leon Tolstoi
Russia: 1828 // 1910
Escritor O Que Sou e o Que Faço Neste Mundo

Involuntariamente, inconscientemente, nas leituras, nas conversas e até junto das pessoas que o rodeavam, procurava uma relação qualquer com o problema que o preocupava. Um ponto o preocupava acima de tudo: por que é que os homens da sua idade e do seu meio, os quais exactamente como ele, pela sua maior parte, haviam substituído a fé pela ciência, não sofriam por isso mesmo moralmente? Não seriam sinceros? Ou compreendiam melhor do que ele as respostas que a ciência proporciona a essas questões perturbadoras? E punha-se então a estudar, quer os homens, quer os livros, que poderiam proporcionar-lhe as soluções tão desejadas.

(...) Atormentado constantemente por estes pensamentos, lia e meditava, mas o objectivo perseguido cada vez se afastava mais dele. Convencido de que os materialistas nenhuma resposta lhe dariam, relera, nos últimos tempos da sua estada em Moscovo, e depois do seu regresso à aldeia, Platão e Espinosa, Kant e Schelling, Hegel e Schopenhauer. Estes filósofos satisfaziam-no enquanto se contentavam em refutar as doutrinas materialistas e ele próprio encontrava então argumentos novos contra elas; mas, assim que abordava - quer através das leituras das suas obras, quer através dos raciocínios que estas lhe inspiravam - a solução do famoso problema, sucedia-lhe sempre a mesma coisa. Termos imprecisos, tais como "espírito", "vontade", "liberdade", "substância", ofereciam um certo significado à sua inteligência enquanto se deixava envolver na subtil armadilha verbal que lhe armavam; logo que regressava, porém, depois de uma incursão na vida real, a este edifício que supusera sólido, ei-lo que via desmoronar-se como um castelo de cartas, vendo-se obrigado a reconhecer que o edificara graças a uma perpétua transposição dos mesmos vocábulos, sem recorrer a essa "qualquer coisa", que, na prática da vida, importa mais do que a razão.

Schopenhauer proporcionou-lhe dois ou três dias de serenidade, mercê da substituição a que procedeu em si próprio da palavra "amor" por aquilo a que o filósofo chamava "vontade". Quando o examinou, porém, do ponto de vista prático, esse novo sistema estiolou-se como todos os outros, mero trajo de musselina que era no fundo. Como Sérgio Ivanovitch lhe tivesse recomendado os escritos teológicos de Komiakov, foi ler o segundo volume das suas obras. Embora desanimado logo de início pelo sentido polémico e afecetado do autor, nem por isso deixou de se sentir menos impressionado com a sua teoria da Igreja. A crer em Komiakov, o conhecimento das verdades divinas, recusado a um homem só, é concedido a um conjunto de pessoas que comungam do mesmo amor, isto é, a Igreja. Esta teoria reanimou Levine; uma vez que aceitasse a Igreja, instituição viva de carácter universal, com Deus à frente, e santa infalível por conseguinte, era-lhes mais fácil aceitar os seus ensinamentos sobre Deus, a criação, a queda, a redenção, que principiar do princípio, pelo próprio Deus, esse ser longínquo e misterioso. Infelizmente, tendo lido em seguida duas histórias eclesiásticas, uma de um escritor católico, outra de um escritor ortodoxo, chegou à conclusão de que as duas Igrejas, ambas infalíveis na sua essência, se repudiavam mutuamente. E a doutrina teológica de Komiakov não resistiu mais ao seu exame que os sistemas filosóficos.

Durante toda aquela Primavera, Levine parecia outra pessoa. Viveu momentos terríveis. "Não posso viver sem saber o que sou e com que fim fui lançado a este mundo", dizia ele de si para consigo. "E visto que não poderei chegar a sabê-lo, torna-se-me impossível viver. No tempo infinito, na infinidade da matéria, no espaço infinito forma-se um organismo como uma borbulha, mantém-se por algum tempo, depois rebenta. Essa borbulha sou eu!" Este sofisma doloroso era o único, era o supremo resultado do raciocínio humano levado a cabo durante séculos; era a crença final da base de quase todos os ramos da actividade científica; era a convicção reinante.
E porque lhe parecia a mais clara, Levine, involuntariamente, deixara-se penetrar por ela. Mas esta conclusão parecia-lhe mais que sofística; via nela como que a obra cruelmente irrisória de uma força inimiga a que era preciso subtrair-se. A maneira de se emancipar disso estava ao alcance de cada um... E a tentação do suicídio perseguiu tão frequentemente aquele homem sadio, aquele feliz pai de família, que tratou de afastar de si todas as cordas e nem sequer se atrevia a sair com a espingarda. Contudo, em vez de se enforcar ou de quimar os miolos, continuaria muito simplesmente a viver.

Leon Tolstoi, in "Ana Karenina"

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

No Tabuleiro da Vida



No Tabuleiro da Vida

As peças começam a se mover e quadrante a quadrante se posicionam, em seu bailar delicado de escolhas e escolhidos; a vida com seus jogos, com seus medos, suas dúvidas, seus desejos, cada busca e seus anseios; os mistérios de cada hora que ainda não veio, e todas as que queremos repetir; ponteiros que marcam cada um de nossos passos como uma fotografia tirada pelo tempo, pendurada nas paredes de nossas mais intimas memórias...
O gotejar de saudade de todas que se foram, levados pela vida, que mudaram de endereços; ou simplesmente não querem mais jogar! Cenários cinzentos, peças nos lugares, cidade calada, tabuleiro de vida, aves noturnas que voam ao redor; sentados em nossas cadeiras analisando o próximo passo, pensando em todos os frutos que ainda se pode colher; gramado verdejante, pensamentos que não param. Vontades sussurrantes sopradas com o vento, desejos e vontades em mais um movimento suave; sementes que foram lançadas antes mesmo da primavera; tudo que germinou, tudo que ainda vai germinar...
Silêncio que paira no ar, eu e você, antes do primeiro passo, a derradeira peça se fixar, o primeiro ato, cada toque, rei e rainha trocando olhares, imaginando possibilidades, jogando com nossa sensibilidade, sem pudor, despidos de todos os receios em uma batalha de existência, no tabuleiro de nossos dias, em uma busca incerta, sempre a procurar; expondo sentimentos e sentidos, cantando nossos sonhos sem se preocupar, ocultando dores e fracassos...
Com lâminas afiadas e sanguinolentas forjadas no fogo das paixões,entre o tempo e suas eras, brincadeiras de vida, disputas mortais do destino, neste jogo eterno chamado amor...
No tabuleiro da vida existem regras que foram escritas há muito tempo, por aqueles que sabiam como jogar e ganhar; em cada dia que se vive, em vários sonhos que se sonha, em toda parte que se vai...
Cada peça tem sua importância, um valor a se cultivar, fez ou ainda faz parte de você, reside em seu peito, existe no fundo da consciência, no intimo de cada alma, encontra-se vivo em seu presente, em cada música que se ouve; ou adormecido em seu passado entre poeira e saudades quando o coração aflito ainda o sente, grita em seus sonhos turbulentos vozes que lhe chamam entre imagens que evaporam lentamente; ou se calam em sua realidade conturbada, entre o destino e suas normas, entre tudo o que foi, é ou ainda será; vitórias e derrotas no tabuleiro da vida...
W. R. C.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Lembre-se de Ontem



Lembre-se de ontem


Quando você ouve uma voz
Que ecoa preenchendo seu ser,
Dentro de seu coração a bomba cardíaca acelera
Como os ponteiros do relógio a marcar o tempo,
Conduzindo o sangue quente de memórias reluzentes;
De algum tempo atrás, outras sensações,
Em estações diversas de ontem e hoje
Tentando dizer o que não disse,
Moldar formas em visões que existem
Sabendo que o globo não gira para trás;
Mesmo que eu tente, eu não consigo
Plavras se forman de nossos novos conceitos,
Jardins começam a deixar suas cores à mostra
Em letras variadas de varios valores,
Ler as entrelinhas, você sabe que não podemos.

Sim, eu tentei, o que há de errado?
Cicatrizes profundas são dificeis de curar
Elas sangram em noites de pensamentos intensos;
Tarde demais para voltar no tempo,
Para olhar sobre meu ombro,
Cada bruma que se formou agora,
Cada saudade que se ergue diariamente
Talvez um dia eu volte novamente ao inicio
E construa pontes sólidas que não desmoronem...
Lembre-se de ontem e pense no amanhã
Mesmo sabendo que a realidade é o agora
E que você tem que viver o hoje,
Todas as suas horas, cada suspirar...

Não me deixe com a mágoa, nem com a culpa,
De erros que se acumulam com o tempo,
Poeira de vontades evaporadas,
Condenado-me às profundesas de minha consciência
Onde residem cada um de meus desejos;
Pois eu tenho que viver hoje, cada segundo
Como se o amanhã dependesse disso,
Como se cada minuto fosse se recriando novamente
Com você ainda sorrindo em meus mais puros pensamentos
Em cada sonho mesmo os cinzentos e frios,
Como os dias de outrora e aquelas guardadas horas
No fundo de meu peito, no intimo de minh'alma,
São varias melodias ecoando tão caladas.

Mesmo entre o silêncio e a distância
A vida ainda pulsa e ferve em nossas veias,
Transportando sonhos e vontades
Nas batidas unisonóras de nossos corações.
E qual seria uma razão melhor
Que nos daria motivos maiores para celebra-la?
Deixar que ele se revele,
Uma ultima fagulha de paixão
E todos os gemidos de amores,
Entre varias primaveras floridas
E seus jardins iluminados,
Cada um de nossos invernos cinzentos
E suas brisas tão suaves,
Como um grão caido em terra irrigada
Buscando o pulsar da vida a todo instante;
Para uma semente germinar
É preciso rega-la, alimenta-la,
Permitir que o sol brlilhe sobre ela,
Um pouco a cada dia,
Um pouco de nós em cada dia,
Com todos os sabores e odores
Do ontem, do hoje e do amanhã...

W. R. C.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Corredores estreitos



Corredores estreitos



O tempo nunca é suficiente,
Existe muita coisa guardada
Nas profundezas enegrecidas da alma
Entre os dentes pontiagudos do tempo,
Um fogo que quer se queimar,
Subir bem alto, alcançar o céu,
Mas que é impedido pelo medo de tentar.
A eterna busca do incerto, do incomum,
De cada parte que se completa
E aquilo que se torna um em sonhos compartilhados;
Do quê eu tenho que completa você,
Do que você tem que me completa,
Metades de moedas valiosas,
Um jogo de ases no embaralhar da vida...

As palavras podem se tornar uma arma mortífera
Em bocas sedentas pelo caos;
E também podem ser, de repente,
Em meio aos corredores estreitos
O propulsor de sentidos puros e verdadeiros,
Escorrendo por cada canto,
Levando diversos sentimentos.
Disparo meus dardos cheios de paixão,
Em direção ao alvo que almejo,
Mas a vida cria obstáculos diariamente
Constantes pedras que se erguem,
Paredes sólidas de indiferênça e seus escudos;
Onde nossas setas inflamadas de amor,
Enxarcadas de querer
Batem em muros de concreto e caem no chão...

Busco um tesouro prateado no brilho do luar,
Com um nome me faz lembrar também,
Algo que amenize a falta do que tanto faz falta;
Tudo que se pode ter em vida e vive se escondendo de nós;
Ou seria nós nos escondendo da vida?
Preciso dizer apenas algumas palavras
Mas temo que soem vazias:
_Abro e fecho portas, vejo corredores escuros,
Becos tranparentes cheio de rostos,
E no sol do meio dia sinto frio,
Estremeço por não saber como conter
Cada um desses sentimentos que brotam diariamente
Que se rabiscam em folhas virtuais
E desenham vontades em minha mente...

Para que chorar amores velhos e empoeirados,
Emoldurados em galerias especiais de nossas lembranças;
Se a sua porta pode existir alguém a bater,
Se o seu jardim possuem flores novas,
Ou sementes prontas para serem semeadas?
Não posso deixar de falar, ficar calado,
Ocultar cada grito silencioso que quer sair;
É só olhar sua janela agora,
Ver o que pode estar se aproximando...
Agora aqui do outro lado,
As portas de minha mente, de meu coração,
Quando dentro de mim em silêncio,
Gritos mudos cantam uma canção e fazem seu chamado
À nova estação que está por se abrir...
Este labirinto de vidro possuem espelhos embaçados,
Onde vemos nossos rostos distorcidos,
Nossos sonhos em pedaços parecidos,
Esperando a decisão de seguir
Sem medo do que pode acontecer,
Seguir apenas e descobrir o que pode ter
Nesses corredores estreitos chamados de vida.



W. R. C.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Edgar Allan Poe




UM SONHO NUM SONHO


Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
Francamente aqui vir confessar-te
Que bastante razão tinhas, quando
Comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
Que me importa se é noite ou se é dia...
Ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
Não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia
De uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
Com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
Dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
Se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
Um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
Será apenas um sonho num sonho?

Edgar Allan Poe

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Reescrever uma História



Reescrever uma História

São vozes que ecoam por folhas diversas, agonizantes sentimentos; são linhas que se perdem entre desejos e vontades, evaporando lentamente com o tempo; cada fagulha, um pedaço de mim em linhas tortas a se rabiscar, cada linha riscada uma visão entre a realidade e o sonho; vultos, vozes, melodias, silêncio e escuridão. Como rasgar esse véu que nos separa, traçar novas linhas, dizer o que se sente? Páginas que aprisionam sentidos, um grito agonizante entre o ontem e o hoje, teorias controversas entre eu e você...
Agora somos parágrafos que já se foram, entre os dias que passaram; capítulos que ainda não vieram, entre o futuro imprevisível; versículos sussurrados em nossos sonhos, histórias que se escrevem...
Equilibrando as palavras entre o caos e o tormento, dia após dia por estradas tenebrosas, cidades em ruínas, palavras que são escritas e vozes rancorosas; mentes construindo realidades, reinventando verbos, amores que se foram por portas que se fecham; reescrevendo o pretérito imperfeito em verso e prosa...
Carregando a sabedoria de varias eras empilhadas sobre a órbita craniana, e cinzas que caem dos céus, seguindo a estrada da vida como se fosse a primeira vez, por suas curvas perigosas, escrevendo a história dos homens, com todos seus altos e baixos, com sangue suor e lastimas, por onde poucos ousaram pisar e muitos se perderam.
...Desenterrando versos do passado, desses livros que já se foram adormecidos sobre o sono da morte, de cada sentimento que outrora foi vivo, que foi perdendo suas cores, cada som unisonoro; fumaça cinzenta de dias que se perderam sobre o olhar malevolo de todas as horas, de cada um de seus minutos em que buscava aquelas paginas, de sonhos que desbotaram e amores esquecidos, entre os beijos que agora faltam e novas linhas que se escrevem.
Uma mão ainda vazia espera, tocar tão belos dias de sonhos tão diversos de horas de alegria e grãos que serão dispersos,palpar cada rascunho de folhas amareladas, de todas suas linhas e cada uma palavra, recriar o que se teve por dias que já foram levados; reescrever essa hitória com todos os pontos e virgulas de forma que não seja mais apagada...

W. R. C.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sombras da Noite



Sombras da Noite


Encontrei um espelho com meus olhos
Refletindo minha insanidade tão sensata,
Pedaços que se desprendem de meu mundo,
Cores abstratas que se destacam
Fluindo lá no fundo de minhas veias;
Do intimo de mesus pensamentos
Perguntas e respostas...
Palavras e versos...
Correndo em volta e rapidamente,
Girando de forma estranha,
Deslizando até meu peito;
Imagens derretem em minha mente,
Esculturas especiais de minhas lembranças
Com minhas recordações que deixei para trás,
Quando não pude manter o passado presente,
Pois o passado sempre escorre e não se vê;
E no presente que as vezes parece ausente,
Tentamos sempre fazer
Desse presente algum futuro...

Seu toque puro não está me protegendo
Oh, senhora saudade!
Sob as areias de todas as minhas lágrimas
Contruo castelos de portas fechadas e torres altas,
Tudo que resta, tudo que tenho
Está diante do espelho partido,
Duas metades do que um dia foi inteiro,
Linhas que são escritas de tudo o que sobrou;
É um bando de palavras sem sentido,
Uma vociferação que ecoa distante,
Vibrações que se propagam e somem com o tempo
Nas águas da existência
Que desaguam no mar de silêncio e sombras...

Sombras de mim e você, aqui e depois,
Voando sobre meus anseios
Tentando alcançar as visões
Do caminho que percorremos.
Sombras cinzentas ficando vermelhas
Lágimas ferozes que correm nas veias;
A vida passa rápido demais,
Por estradas desiguais e estreitas
Nas asas frageis dos sentimentos flutuantes
Que planam sorrateiros entre os dias enfim;
Nosso voo terminou aqui...

Tantos rastros, tanto desejo, tanta procura,
No alto da colina posso ver o horizonte
Visões derretem com minhas recordações,
Uma brisa em minha pele está traçando as
Linhas com as marcas ao longo de meu rosto,
Sustos de uma consciência sussurrante
Culpando a mim, somente a mim...
Eu era, eu serei ou eu sou?
O que quer que seja
Eu não serei o mesmo, não mais,
Depois que as pedras cairem e as vontades rolarem;
Pode ter certeza quando o anoitecer dourado me cobrir
Com manto plúmbeo do luar,
Memórias então irão deixar o meu coração...

Porque o guardião dos sonhos parte?
Em algumas horas, dentro da negra noite
Será cumprido o que fora dito;
Tendo minha tristeza virando pedra,
E cada lágima secado,
Os sonhos quebrarão as correntes
E abrirão defitivamente suas asas
Voando para a eternidade
Em direção ao amanhã.
Algumas vezes em sonhos eu vejo os olhos dela,
Tão brilhante como a chama do sol
Vigiando-me como fontes cristalinas...
Aqueles sentidos no manto frio da noite que evapora
Conduz os sentimentos ao seu devido lugar
De onde nunca deveria ter saido...
Onde estão os guardiões dos sonhos?
Porque escondem a verdade do mundo?
Digam-me as respostas que minha mente deseja.

W. R. C.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Na sala de estar



Na sala de estar


A casa é tão grande,silêncio que ecoa,
Assim como meus pensamentos;
Não existe nada nem ninguém
A quilômetros de distância,
E a distância que nos separa de nossos sonhos
É a mesma entre um passo até a porta
E o enorme Jardim lá fora...

Sentado na sala de estar em meio às sombras
Tudo que vem se formando de meus sentimentos,
Rodeado de vozes silenciosas em prateleiras sujas;
Os ossos estalam a carne estremece,
Aglomerado de sentidos dormentes
Que adormecem em cada por do sol...
Cultivo sussurros e lamentos,
Lágrimas salgadas e soluços,
Tudo que insiste em se alimentar
Pelos dias que se vão
No decorrer mórbido das horas que se arrastam.

Caminho pelos corredores enegrecidos,
Entre a ruas entrelaçadas,
Tentando fugir do tempo e seus comparsas,
Com suas armas e seus segredos,
Tudo que foi se formando, emparedando,
Empoeirando como moldura velha,
Rostos imortalizados em seu ultimo ato...

Ainda há vozes medonhas que ecoam à noite,
Espelho quebrado refletindo sua face,
Sussurros de sonhos que se desprendem
Procurando respostas que nunca encontraram,
Fazendo perguntas que nunca irão se calar,
Que fazem suas curvas, tão cheias de vozes,
Que ecoam distantes, sem um destino certo...

Aqui jaz meu ultimo sussurro de amor
Enclausurado em seu leito de pedra,
Adrmecido em silêncio profundo,
Nas profundezas gélidas desta morada,
Esperando o próximo raiar do sol
E os ventos que sopram o amanhã;
Para ressurgir majestoso
Reviver tudo de uma forma que não viveu
E se propagar no imenso azul do céu.

Vejo minha sombra se formar no papel amarelado,
O que sobrou de meus sentimentos,
De minhas memórias de dias que se foram,
Sombras escritas com lastimas e pesar
Em outra página escurecida de meus devaneios
Que se formam entre o hoje, o ontem
E o que tanto quero e espero para o manhã...


W. R. C.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Karl Jaspers



Karl Jaspers
Alemanha: 1863/1969
Filosofo, Psiquiatra

Orientar Filosoficamente a Vida

A ânsia de uma orientação filosófica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em carência de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, súbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituivel de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio.
Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia. Não se satisfazer com elas, porém, e entender essa diluição nos fins como via para o auto-esquecimento, e, portanto, como negligência e culpa, eis o anelo de uma vida filosóficamente orientada. E, além disso, tomar a sério a experiência do convívio com os homens: a alegria e a ofensa, o êxito e o revés, a obscuridade e a confusão. Orientar filosoficamente a vida não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido, é clarificar.
São dois os seus caminhos: a meditação solitária por todos os meios de consciencialização e a comunicação com o semelhante por todos os meios da recíproca compreensão, no convívio da acção, do colóquio ou do silêncio.

Karl Jaspers, in 'Iniciação Filosófica'

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Batalha





A batalha


Derrama em linhas tortas pedaços de sentidos,
Escorre no papel fagulha de saudade,
Esperando a chuva cobrir as lágrimas,
E o sangue as cicatrizes.
No campo de batalha cenários diversos,
Outra porta fechada, um sonho preto e branco,
Outra página virada, um conto sem final feliz...
Passos lentos, labirinto de vidro,
Espada afiada, corte profundo,
Vontades gritantes, enclausurado e perdido.
O gotejar das horas impiedosas,
Abrir e fechar os olhos , devaneio...
Realidade... Pesadelo...
O vento sopra as folhas lá fora,
O tempo despeja seus grãos de areia,
Aglomerar de nuvens cinzentas,
Silêncio e escuridão.
Sussurros envenenados vozes que ecoam,
Pensamentos fragmentados, cacos de vida...
Sobe a fumaça do insenso,
Desce o homem até seu inferno pessoal,
Em constante batalha com sigo mesmo,
Mastigado e cuspido nas entranhas do mundo.
Pisando em nuvens carregadas,
Prontas a disparar saudade e melancolia,
Rabiscando o céu com um trovão,
Se alimentando de sonhos e sentimentos,
Sentado observando ações e vozes,
Trancrevendo verdades e vontades,
Lançando aos céus sonhos e desejos,
Dissolvendo o passado em finas gotas de chuva,
Velas irão queimar, o pensamento irá transcender
Cultivando o presente em silêncio e belas rosas.
As cartas estão na mesa, o soldado no campo de batalha;
Espadas de verbos, escudos silenciosos,
Uma guerra sem vencedor, sem perdedor,
Apenas combatentes incansáveis,
Sonhadores incontestáveis e famintos,
Amantes insaciáveis e sedentos,
Marionetes de si mesmmos
Repletos de desejos e vontades,
Guerreiros na constante batalha da vida.



W. R. C.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Vida em um Vidro



A vida em um vidro


Nem sempre as coisas saem como queremos, nem sempre queremos as coisas como elas são; um tapa seco em nossa face, um tombo doloroso no banheiro úmido, verdades lançadas em sua cara, vontades que gritam em seus ouvidos, oportunidades perdidas em um instante...
Meus olhos querem ver o que minhas mãos não puderam tocar, meu coração bate lentamente por não ter vivido emoções preciosas, minha mente arde em chamas por conter pensamentos pesarosos, e minh'alma grita em silêncio por não me ensinar as escolhas e nem as palavras certas...
Agora quero que tudo se escureça por um instante, e por meus pensamentos em um quadro pintado, exposto na parede de meus lamentos, ao lado de minha gravura embaçada, colocar minha vida num vidro, deixando a tempestade gritar la fora, todas suas verdades e suas mentiras, enquanto observo tudo aqui em silêncio, com todos meus sonhos e meus medos que ecoam pela consciência calados......
Os caminhos que escolhemos nos conduzem passo a passo aos recantos de nossa existência, onde tentamos construir pedra por pedra o catelo solitário de nosso ser, com todas nossas emoções gritantes diante de nós, com todos os amores do ontem e do hoje, toda planta colhida, cada semente germinada, tudo nesse caminho, degrau por degrau, até que se para e fica a pensar: Será que deixei algo para trás, quantos sóis ficaram sem minha sombra, quanta chuva não lavou minh'alma, quantos soluços abafado deixei de lançar ao céu? Mas o caminho continuará ali, esperando por você, quanto estiver pronto a retomar os seus passos...
No labirinto da vida, de vidro, entre suas paredes transparentes, vemos rostos que passam calados, também escutamos vozes que ecoam pelos cantos, lamentos gritados ao nada, pessoas famintas de vida, sentindo o cheiro pútrido da morte em cada esquina, em cada vez que alguém tenta gritar um pouco mais alto...Cada passo, cada acesso, um dia de cada vez, sempre tentando chegar no horário, dizer as pessoas o que elas querem ouvir, tentando tocar os sentimentos que evaporam no ar, muitas vezes em vão..‎Cada luta, outro suspirar profundo, cada fruto maduro colhido no pé, apodrece lentamente em nossas mãos quando não sabemos conserva-los, consumi-los, e aproveitar suas sementes, germinar o que se perdeu com o tempo, e que foi levado pela maré; cada cheiro que tem um amanhecer carregado de vapores que saem dos sonhos, e a poluição enegrecida de nossas cidades, de cada uma de nossas saudades, trazem consigo nuvens cinzentas, carregadas de lágrimas que caem e escorrem com as emoções; o céu que grita tantas dores em todos seus trovões; e nós, cada um em seu vidro, cada um em sua vida, pensamentos poeirentos e vontades guardadas nas gavetas da existência, ou escritas em papéis amarelados, pedaços de nossa essência, sussurros intermináveis...
Ainda posso ver em meus olhos diante do espelho, diante do vidro, as marcas que o tempo deixou, cada sopro de desejo que fora oculto por nuvens escuras, e cada sentimento que escorreu em lágrima silenciosa, em tempestades de paixões tão dolorosas; ainda vejo em meus dias os fantasmas de minhas memórias, cada página de toda a história nos ponteiros que marcam os segundos de nossas dúvidas, nos minutos de nossas vozes, nas horas de nossos sonhos...
Quero um instante como aqueles que deixei escapar, um poco mais daquele sentimento que evaporou e sumiu, aquelas horas que o tempo ocultou de mim, aqueles dias que os meses levaram para longe, cada ano que as decadas apagaram, tudo em um instante...
Quero saber o significado de todos os meus sonhos, porque de tantas visitas nestes mesmos, essa fumaça que paira no ar, esse perfume em minhas lembranças, algumas palavras que qero dizer... Palavras cantadas, jogadas no ar, verdades em melodias variadas, e a chuva que ainda cai lá fora, e essa voz que ecoa aqui dentro; são tantas coisas em tão pouco tempo, são tantos sonhos nesse cenário opaco, e meus pensamentos escurecidos, entre essas paredes sileciosas atormentadas por essa música...
As horas passam e levam uma parte de mim, outro fragmento de minhas memórias, de meus sentimentos, que gota a gota pingam suas dores, suas vontades, todos os amores; a mente despenca em queda livre a ladeira pedregosa da saudade, e as feridas que surgiram pelo caminho ainda sangram sem respostas, cada lágrima tempestuosa dessas nuvens obscuras de meus pensamentos, inundam meus dias, e aqui onde me afogo em outras lastimas no alto de minhas visões escurecidas, daqueles dias que ficaram escondidos entre as paredes desse vidro e linhas tortas de papeis amarelados, foi lá onde deixei meu ultimo beijo perdido, é lá onde meu lamento nunca será calado...


W. R. C

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Melodia ao Entardecer



Melodia ao entardecer


Uma melodia ao entardecer,
Com sons de saudades e cores de pesar,
E qui neste lugar onde espero,
Onde os pássaros voam sorrateiros
E os homens procuram respostas,
Entre os raios solares e seus mistérios
E folhas vazias que se despredem das árvores,
Guardando perguntas, ocultanto minha face...

Sentimentos em sons perdidos
Ecoando do outro lado da cidade calada,
Vontades em cores esquecidas,
Em vozes sussurrantes que nunca se silenciam,
Cantam suas dores nas sombras que se formam,
Sedentas por amores que sempre morrem
Dilacerados pelo tempo e seus comparças
E cada migalha de sentido que evaporou...

O esperar e seus tormentos,
Cada dia que passa, todos os dias que ficam,
Cada vento que sopra, esse aperto no peito;
As brasas ainda ardem, os sonhos ainda vivem,
Portas que não se abrem, papéis que se escrem;
Tudo se junta, se forma, se molda, se cria
No barro que o tempo modela
Em obras precisas e imperfeitas...

Nem mesmo nuvens cinzentas podem conter a verdade
Que se desprendem do alto de nossos sentimentos,
Cada melodia cantada em amor e paixões
E tudo o que temos a oferecer, um pouco de nós;
As esquinas que passaram sabem o que digo,
Nelas ficaram escritas entre o entardecer e os abraços,
O anoitecer e os beijos que se foram,
Tudo o que ainda ficou guardado...

Chega de lágrimas escondidas,
De soluços silenciosos no escuro,
O por do sol irá levar para longe,
Do outro lado do horizonte perdido,
Cada lamento, cada saudade e seus venenos;
E trará com o anoitecer novidades
Em linhas escritas tão esperadas,
Palavra por palavra a se formar...

E entre os dias, seus sons e suas horas
E o algoz de minhas lembraças,
Ficam as flores que foram plantadas
E uma voz que ainda irá reçoar novamente
Quando cruzarmos nossos caminhos;
Entre ontem e hoje, sonhos e realidade,
Guarde no fundo do peito o que se cria
Pois um dia ainda pode se tornar verdade...

W. R. C.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vão se Escrevendo


Vão se escrevendo


Penso em tantas coisas, sinto todos os dias,
E vão se escrevendo a todo instante
Essas sensações que invadem meu ser,
Tempestades e trovões que não se findam
Bombardeando cada parte de mim,
Fragmentando minhas horas em devaneios,
Em vultos de memórias cinzentas
Que se espalham como migalhas no chão.
Aqui sentado de frente para porta de minha casa,
De minha mente e tudo que brotou, ou secou e caiu,
E meu jardim silencioso que não me diz nada;
Também digo palavras que ninguém escuta,
Que ecoam sozinhas no firmamento,
Versos que se perdem no ar,
Sussurros de sentidos que nunca chegam onde quero,
Vontades caladas tentando gritar.
Deixei um verso solto ao vento, na fumaça do incenso,
Rodopiando, girando em espiral
Entre as horas de meu dia e meu derradeiro lamento,
Perdido entre as ruas e suas armadilhas
Ocultas em cada esquina insana
Com suas vozes grosseiras e suas feridas;
Entre tudo que tentei dizer e o que tanto quero,
Solto no tempo e na escuridão do mundo.
Estas sombras, estas nuvens, tanto de mim
Que nem sei se um dia ficou em você,
E você por toda parte e ainda aqui;
Estes sonhos dolorosos, outro gole de vida
Garganta abaixo, alma adentro,
Tateando vontades falantes,
Tocando saudades escurecidas,
E minhas mãos ainda vazias,
Pois o que quero ainda espera longe de mim;
Quero tanto, quero tudo, mais um pouco,
Cada página, cada luta, todas as linhas,
O livro sagrado fora aberto e não irá se fechar agora,
Pagina por pagina se constrói
Pelos dias que se seguem e suas curvas;
E cada verso perdido, que seja encontrado,
Entre os meses e suas semanas,
E cada sonho recriado novamente,
Do barro de cada vontade, de cada procura,
Tudo que já fora escrito,
E tudo que irá se escrever...


W. R. C.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Gaston Bachelard


Gaston Bachelard
França: 1884 // 1962 Filósofo

A Realidade do Amor

Que sempre existam almas para as quais o amor seja também o contacto de duas poesias, a convergência de dois devaneios. O amor, enquanto amor, nunca termina de se exprimir e exprime-se tanto melhor quanto mais poeticamente é sonhado. Os devaneios de duas almas solitárias preparam a magia de amar. Um realista da paixão verá aí apenas fórmulas evanescentes. Mas não é menos verdade que as grandes paixões se preparam em grandes devaneios. Mutilamos a realidade do amor quando a separamos de toda a sua irrealidade.

Gaston Bachelard, in ' A Poética do Devaneio'

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Incomodando os Anjos



Incomodando os Anjos


Transcorrendo em direção ao desconhecido,
Lembranças gritantes, vontades que não se foram,
Ainda rasgam os sentidos sem piedade,
A história retrocede nos meus espelhos oculares
Como vultos disformes a me atormentar;
É quando vejo com perfeição tudo novamente,
Se escrevendo em linhas imprecisas,
Em sonhos nebulosos distorcidos,
Levado por uma onda de versos em uma estrada deserta,
Onde me afogo em meus desejos sem fim,
Sedento e faminto, sem poder me saciar...

A memória fala no coração de uma cidade cinzenta,
Com suas janelas abertas mas sem enxergar;
Um pomar cheio de maçãs,navio a navegar,
E pagina por pagina se escreve,
Um livro sagrado, linha por linha.

Toda a minha vida, em cada uma estrada,
Eu tenho incomodado os anjos constantemente,
Me perdendo em mim mesmo,
Me encontrando em negras asas,
Voando sorrateiro entre sentimentos,
Passeando, subindo, descendo e vivendo,
Cada dia como se fosse o ultimo,
Cada hora como se fosse a primeira,
Tão perto do limite, entre a vida e a morte,
O sono profundo e o despertar ardente
Incomodando os anjos constantemente.

Passeando através da Cadeia de Luz,
Que adentra cada janela enegrecida
E transforma cada dia esquecido,
Até a cidade ferida e silenciosa
Enchendo meu espírito, minha carne,
Com sensações e vontades,
Com o mais selvagem desejo de voar.

Pegando a estrada para a cidade ferida,
Pelos homens e suas pragas,
Sem tocar os pés no chão,
Sentindo o vento frio banhar a face,
Soprar a alma suavemente,
A memória dedilhando no coração
A melodia que canta a vida;
Toda a minha vida, eu tenho incomodado constantemente,
Passeando, girando e voando, bem além dos limites,
Bem além dos sonhos e suas portas;
Incomodando os anjos constantemente.

Caminhando pelo fio da navalha,
Em direção ao corte final,
Que não deixará cicatriz,
Entre o passado e o futuro,
O ontem, o hoje e o amanhã,
Sonhando e vivendo as cores
Que não estão em minha realidade,
Pois as sementes agora que foram lançadas,
Sendo levadas pelas canções de tempos perdidos,
De momentos únicos guardados,
Memória ecoando no coração de um sonhador,
Memória batendo ressoando em uma alma faminta
Que sempre estará incomodando os anjos.

W. R. C.